olhos. Eles aguardam serenamente as suas palavras. São
momentos em que o tempo quer parar, momentos em
que a vida dá lugar a um falso silêncio. A sua voz está
tremida, com as palavras a enrolarem-se na garganta.
Treme as mãos. Tem o olhar fixado num papel. Todos se
mantêm calados, pois sabem que é importante que ela
consiga ter a coragem de falar, de abrir os pensamentos
e partilhá-los. Afinal é por isso que eles ali estão. A terapeuta
decide tocar-lhe no ombro, deixando ficar a mão
como sinal de confiança. Entretanto, a porta dos fundos
abre-se. O olhar de Luísa é desviado para junto dessa
mesma entrada. É o Dr. Álvaro. Aproxima-se, pedindo
desculpas pelo atraso. A terapeuta pega numa cadeira e
coloca-a junto a Luísa. O médico senta-se e dá-lhe amão.
Ela sente-se mais aconchegada, mais firme. Nesse instante,
parece que o rio das frases brota da boca dela."
1 comentário:
A expectativa que fica é muito grande. Se for todo assim está bem construído. Só não acho que as palavras se enrolem na garganta, mas isso é um pormenor sem a mínima importância.
Enviar um comentário